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Artigo sobre a ADI publicado na Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa em Out-Dez 2009: "Influência das Percepções Maritais/Parentais sobre Relacionamentos de Conjugalidade: Método ADI/TIP"

 

RESUMO - Este estudo investigou a influência das percepções maritais e parentais negativas sobre os relacionamentos de conjugalidade dos participantes e se as mudanças nessas percepções causariam impacto nesses relacionamentos. Foram selecionados 604 clientes, submetidos à Terapia de Integração Pessoal (TIP), os quais responderam questionários de autoavaliação nas diferentes fases do procedimento terapêutico. Os resultados revelaram que na presença de dificuldade de relacionamento com a figura parental, os(as) filhos(as) caracterizam os pais com atributos negativos. Além disso, os participantes que relatam dificuldade no relacionamento conjugal também apresentam dificuldade de relacionamento com a figura parental, assim como percepções de dificuldades no relacionamento marital dos pais. Esses padrões diminuem ao longo do processo terapêutico, evidenciando possibilidades positivas da metodologia ADI/TIP em sua prática clínica.

Palavras-chave: percepções maritais; percepções parentais; conjugalidade; psicologia clínica; método ADI/TIP.

Faça download do artigo em pdf através do link abaixo:

http://www.tipclinica.com.br/public_html/images/stories/Intranet/pdf_e_textos/Artigo_ ADI_Influência das Percepções Maritais_Parentais sobre Relacionamentos de Conjugalidade_ Método ADI_TIP.pdf

 

 

Artigo: Fenomenologia das Motivações do Adolescente em Conflito com a Lei - Autora: Maria Clara Jost

Maria-clara-1 RESUMO - Este trabalho visa a avaliar as motivações mobilizadoras do comportamento do adolescente em conflito com a lei, adotando o conceito interativo do ato infracional. Entrevistas, individuais e semi-estruturadas, foram realizadas com adolescentes do sexo masculino, privados de liberdade. Os conteúdos obtidos foram organizados em núcleos temáticos, analisados fenomenologicamente e articulados às motivações subjacentes. Os resultados revelaram uma ambivalência vivencial que corrompe as subjetividades e fragmenta os relacionamentos intersubjetivos, forjando angústia existencial. Essa angústia se expressa em ações contra si mesmo e a sociedade. Pontua-se a necessidade de intervenções psicossociais que considerem o problema não somente a partir dos determinismos simbólicos e culturais que o engendram, mas que também incluam a busca de respostas desses adolescentes ao seu sofrimento humanístico-existencial.

Palavras-chave: adolescente em conflito com a lei; fenomenologia; motivação; sofrimento psíquico.

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Para que curar-se?

Maria Clara Jost de Moraes
Tip terapeuta

A pergunta parece óbvia demais para ser formulada. Afinal, quem não quer se livrar das dores, sofrimentos, humilhações e a angústia de ver-se sempre ou, em algum momento da vida, preso a algum tipo de doença?

A doença estaciona a vida. A doença escraviza. A doença é um empecilho para a felicidade. E, quem não quer ser feliz?

Durante séculos a humanidade se debruçou sobre ela. Pesquisou, procurou remédios, antídotos, soluções para aliviar o sofrimento humano. Freud, buscou e percebeu intrincada rede de explicações que justificavam o porquê deste sofrimento. Encontrou um ser humano fatidicamente preso e condicionado ao seu passado, a sua história, as suas origens. Lung foi mais longe e percebeu condicionamentos ainda ancestrais. E chegamos, enfim, a conclusão de muitos porquês- físicos, psicológicos, culturais que explicariam o sofrimento humano.

Em algum momento, porém desse descortinar de descobertas sobre o ser humano, alguns filósofos e psicólogos ousaram contestar esse condicionamento fatídico. Diriam, como Viktor Frankl, “o ser humano tem condicionamentos, mas ele não é condicionado”. Portanto, existe uma dimensão humana que escapa a esse condicionamento. Uma dimensão que é capaz de olhar distanciado sobre si mesmo. De se questionar, se julgar e tomar novas decisões diante da vida, apesar dos condicionamentos. Existe uma dimensão humana que é, antes de mais nada livre.

Mas, mais uma vez, isto era somente uma “linha de pensamento”, ou, mais uma “escola filosófica”. Não havia como se ter certeza dessa afirmação. Continuávamos fadados a “escolher” uma linha filosófica para “acreditarmos”.

Mas uma resposta iniciou-se com um trabalho terapêutico original: ao invés de partir-se de uma abordagem filosófica pré-estabelecida, questiona-se diretamente o inconsciente de cada paciente, através de uma concentração enfocada, não hipnótica, em torno de questões fundamentais para aquele paciente, mas também sobre questões universais. E percebeu-se uma sabedoria imensa vindo do inconsciente de cada paciente, independente de cultura, credo ou raça. Fomos descobrindo, pouco a pouco, pergunta por pergunta, que o ser humano sabe, em seu inconsciente profundo, o porque de sua doença. Esse ser humano é capaz de dar detalhes sobre ela. Inclusive como e quando a doença foi criada. Percebe-se também o paciente, responsável por ela, porque se percebe o autor, o criador dessa doença que o faz sofrer tanto.

Mais que isso. Ele, o paciente, percebe também que se ele criou a doença, ele também é o único que sabe como revertê-la. E, durante o processo terapêutico, através do inconsciente, o próprio paciente dá os detalhes de sua cura. E, realmente, muitos conseguem efetuar e decodificar o código da doença, conseguindo livrar-se dela.

Caberia então agora a exclamação: - Então descobriu-se a cura de todos os males?!! E a resposta seria, não. Infelizmente. Porque o ser humano é livre. E se ele foi livre para escolher a doença é porque existia um motivo muito forte para isso. A pergunta, agora, não é mais o “porque estou doente”, mas “para que eu iria querer me curar?”

Essa pergunta também foi feita ao inconsciente de nossos pacientes. E a resposta que obtemos foi que precisavam da doença para se sentirem amados. E, como o ser humano, precisa ser amado, então eles estavam presos ao fato de precisarem estarem doentes. Isso é uma questão crucial: o ser humano não quer a doença, mas quer ser amado. Se para ser amado ele precisar pagar com a própria vida, ele, surpreendentemente, paga. Pois, é mais imprescindível, para o ser humano ser amado, do que ser saudável.

Mas, não podíamos nos conformar com esse “livre aprisionamento” do ser humano, portanto, continuamos a nossa investigação. E perguntamos: - Como? Como funcionava isso: a doença como motor de ser amado? E, os pacientes foram nos explicando: “- quando estou doente eu sou o centro das atenções, dos carinhos, tudo se desculpa, tudo se perdoa, tudo se releva. Eu não preciso dar explicações, nem dar respostas à vida, pois estou “preso” à doença.

Percebemos então que existia aqui uma outra associação, mais perigosa e mais escravizante que a primeira: mais atenção sendo igual a mais amor. Ou ainda, a necessidade de precisar mais atenção como um caminho que leva a se sentir mais amado. Assim, eu preciso necessitar de mais atenção, para me sentir mais amado. Paga-se o preço. O problema é que: não se recebe a mercadoria.

Explicando melhor: através da doença eu consigo receber mais atenção, com certeza. Mas, eu consigo me sentir mais amado? A resposta do paciente, invariavelmente, é, não. Pois, eu duvido sempre da autenticidade desse “amor”, que vêm como resposta à minha doença. Eu duvido sempre se a “atenção” vêm porque me amam, ou, se é porque eu preciso dela. Assim, desta forma, a sede de amor não se esgota, e, eu preciso adoecer mais. Está feito o círculo vicioso da doença crônica.

Concluindo: para que seja possível eu me livrar dessa cadeia, gerada por mim mesmo, é preciso que eu abra mão da mentira criada por mim, da deformação do meu eu, na doença. Mas para isso é preciso que exista um para que ficar bom, que me transcenda, que ultrapasse a mim mesmo. É preciso que eu desista de “cobrar amor”- atenção – do mundo. É preciso que eu decida primeiro amar. Independente dos fatos, das pessoas, das circunstâncias, dos condicionamentos, da minha história. Para amar eu sou livre. Só depende de uma decisão minha. Para ser amado eu preciso que os outros decidam me amar. E eu não posso interferir na liberdade do outro.

Se eu preciso ser amado eu me torno escravo do outro, dos seus condicionamentos, das suas dificuldades, de seus problemas, de seu egoísmo. Se eu cobro amor, eu preciso adoecer, então não acredito no amor que vêm.

Assim, eu só sou livre “para amar”. Mas se eu tomar essa decisão e efetivá-la, o que acontece é que eu provoco tanta alegria, vida, harmonia e bem estar com a minha simples presença, que não posso duvidar que sou amado, e, melhor, que mereço ser amado. E começa a ser bom amar, ser perfeito, ser saudável, ser íntegro, ser eu mesmo. E se eu sou eu, como duvidar que o que sentem por mim é autêntico? Se eu sou verdadeiro o que eu produzo também é verdadeiro…

Portanto, agora posso me realizar na vida, no amor, profissionalmente. Posso ser feliz no casamento. Posso ter filhos saudáveis. Posso sorrir, me alegrar, ir ao encontro do outro. Por que? Porque a decisão é minha. Para que?

Para poder realizar aquela missão que resume toda a essência do sentido da existência humana, a capacidade de amar, amar incondicionalmente.

 

Ética: Para que o homem continue humano - Renate Jost de Moraes

Imagem 1No ano passado, foi realizado na cidade de Bauru (SP), promovido pela USC, um importante Seminário sobre o tema “Ética em Pesquisa”. Na oportunidade levantaram-se assuntos relacionados ao genoma humano, fertilização “in-vitro”, Bioética e outras questões semelhantes. Participaram como conferencistas personalidades da comunidade científica, inclusive do Instituto Ludwig, entidade de pesquisa genética que destacou-se mundialmente pelo novo enfoque dado à leitura dos genes, agora centrada sobre a região central da molécula RNA mensageira. O acontecimento encheu de orgulho, não apenas os brasileiros, mas todos aqueles que se dedicam e confiam na ciência. Com esta medida, a Engenharia Genética prevê, para um futuro mais próximo a eliminação de males genéticos, responsáveis por muitas doenças até hoje consideradas incuráveis. Entretanto, uma questão grave se levanta quando, pela biotecnologia, se atua sobre células vivas, mais especificamente sobre os processos reprodutivos de seres humanos, ou quando outras intervenções sobre genes e embriões se tornam possíveis. Nestas horas, o empolgamento pelo progresso ou pela ciência em si, muitas vezes faz esquecer o objetivo básico dessas experiências, que deve ser orientado para o sentido existencial do ser humano integral e para sua dignidade intrínseca, não apenas para o genoma.

 

Amor o grande equívoco?

Imagem 2Amor: palavra desgastada, desfigurada, banalizada. Em nossa atual mentalidade cientificista, o Amor perdeu o seu significado, o seu sentido, o seu lugar. Falar em Amor é motivar o descaso ou levar ao esboço de sorrisos maliciosos de conotação puramente sexual, que destroem a essência para limitar a vivência deste Amor a um "fazer" exteriorizado, vazio, apenas físico. Considera-se o Amor como algo poético, sentimental, próprio do adolescente imaturo, povoado de ilusões, indigno de merecer a "seriedade" de uma abordagem científica, a não ser sob seu aspecto apenas fisiológico, no qual se quer resumir todo este Amor.

Paradoxalmente, essa mesma ciência permite hoje que se chegue à interioridade profunda do ser humano, pela pesquisa de campo inconsciente (ADI), e que se comprove, assim, indubitavelmente, que tudo, todo o segredo de bem-estar, saúde, equilíbrio de humanidade, se assenta sobre uma única pedra fundamental, que é exatamente o Amor. Prova-nos, por outro lado, este inconsciente, que todos os males, as violências, os desatinos, as guerras, as doenças individuais e sexuais, os problemas psicológicos e mentais, se originam em última análise, do desamor.

 
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